"in vitro", frente aos antibióticos usados no mercado e que apresentaram os resultados abaixo:
Staphylococcus sp.: foram observados índices de sensibilidade que variavam de 75-90% a cefalosporinas, nitrofurantoina, vancomicina e novobiocina. Foram observados índices de resistência de 100% à fosfomicina, polimixina B, sulfato de colistina e rifampicina e 60% de resistência a lincomicina.
Streptococcus sp.: os antibióticos que se mostraram mais efetivos foram o cloranfenicol, novobiocina e vancomicina, com 72-77% de sensibilidade. Foram encontrados níveis de 90-100% de resistência a rifampicina, estreptomicina, sulfato de colistina, sulfametoxazol, fosfomicina e polimixina B.
Corynebacterium sp.: foi verificada uma sensibilidade de 100% para as cefalosporinas, seguida pela eritromicina, cloranfenicol, gentamicina, canamicina, tetraciclina, carbenicilina e tobramicina com 80-97% de sensibilidade. Nenhuma das amostras de Corynebacterium sp estudadas mostraram resistência completa para as drogas testadas.
Os testes de cultura e Antibiograma nos dão uma noção bastante importante e segura em relação ao tipo de tratamento mais adequado a ser utilizado nas mastites causadas pelos diferentes agentes bacterianos, mas estes testes não podem ser analisados de uma maneira estática, isto é o comportamento das bactérias frente aos antibióticos pode variar entre diferentes regiões, propriedades e animais. A utilização indiscriminada de antibióticos e quimioterápicos tem levado ao aparecimento de formas bacterianas bastante resistentes e que fogem do comportamento usual verificado na pesquisa em questão.
Em nossa experiência nesta área, tivemos a oportunidade de verificar algumas propriedades cujos índices de mastite clínica se mantiveram elevados (acima de 30% em animais produtivos) por vários anos consecutivos, onde os tratamentos utilizados não foram bem conduzidos e o índice de resistência aos antibióticos usuais foi muito maior do que o índice observado na pesquisa em questão. Analisando estes fatores podemos concluir que cada propriedade deve ser analisada como uma unidade independente no que se refere ao problema em questão e que as soluções encontradas para algumas propriedades nem sempre vão surtir o mesmo efeito para outras.
Como proceder a um diagnóstico seguro
Existem vários testes para se diagnosticar a mastite. Nas suas formas iniciais podemos dividir estes testes em dois segmentos:
Testes de campo: são os testes que podem ser realizados diariamente no momento da ordenha. Os mais simples são os testes da caneca telada, que evidencia o leite com grumos de pus ou caseína e da caneca com fundo preto, que evidencia grumos mais finos. Um outro teste que também pode ser utilizado a nível de campo é o "CMT" ou Califórnia mastitis test, bastante utilizado em nosso meio.
Testes de laboratório: Prova de Whiteside - esta prova também de grande valia para o diagnóstico da mastite se baseia na reação do leite com um reativo a base de hidróxido de sódio. Esta prova juntamente com a prova de CMT pode nos fornecer dados que nos permite avaliar a evolução da doença. Contagem de células somáticas - A contagem de células somáticas ou contagem de glóbulos brancos no leite tem sido muito utilizada para avaliar as mastites sub clínicas. O seu valor como teste confirmatório da doença ainda discutível. Alguns pesquisadores citam que a partir de determinada contagem de glóbulos brancos no leite, já seria recomendado o inicio de um tratamento e outros citam que nem sempre um aumento na contagem dos glóbulos brancos no leite pode significar a presença de um processo infeccioso ativo. Alguns autores tem encontrado melhores parâmetros para a presença de um processo infeccioso, delimitando um índice normal que seria calculado a partir de contagens realizadas em todo o rebanho em questão.
Cultura e Antibiograma: Estes testes já citados anteriormente, nos indicam o agente etiológico em questão e o antibiótico mais adequado ao tratamento da doença.
Considerações finais
Além dos cuidados com os animais do rebanho realizando-se os testes de campo inicialmente e procedendo-se os cuidados adequados com a ordenha e manejo dos animais, deve-se examinar os animais novos no plantel antes de sua aquisição, procedendo a um exame detalhado do úbere e fazendo os testes de Whiteside , CMT e exames bacteriológicos para evitar a compra e a introdução de animais portadores de mastite nas propriedades.
O CEPAV LABORATÓRIOS - Tecnologia em Saúde Animal, criou um serviço de informações sobre esta e outras doenças, que pode ser solicitado por todos interessados, através dos telefones: (011) 3872-9553, através de correspondência à Rua Tanabi, 185 - São Paulo Capital - CEP 05002-010, ou pela internet www.cepav.com.br
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Bibliografia
1. Costa E.O., Coutinho S.D., Castilho W.& Teixeira C.M. Sensibilidade a antibióticos e quimioterápicos de bactérias isoladas da mastite bovina. Pesquisa Veterinária Brasileira 5(2): 65-69, 1985.
2. Birgel E.H . Avaliação das provas laboratoriais no diagnóstico da mastite bovina. In: Patologia Clínica Veterinária. S.P.M.V., São Paulo, 1982. p.177-213.
3. Schalm, O.W.; Carrol, E.J. & Jain, N.C. Bovine mastitis. Lea & Febiger, Philadelphia, 1971, 360p.
4. Correa W.M & Correa C.N.M. Efermidades Infecciosas. Editora Varela, 2a edição, 1983.