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Ácidos Graxos
 

INFORME TÉCNICO

Utilização dos Ácidos Graxos Essenciais (AGE) na Clínica Veterinária
Dr. Anthony Carr, DACVIM – VET MED, Dr. Tilley Associates – Santa Fé, New México

Introdução

Os Ácidos Graxos Essenciais (AGE) são ácidos graxos poliinsaturados, que não podem ser sintetizados pelo organismo. A fonte de obtenção dos ácidos graxos é através da alimentação ou da suplementação. Eles têm propriedades únicas na manipulação nutricional, sendo possível redirecionar certos aspectos do metabolismo orgânico para reduzir inflamação e produção de citoquinas.
Uma variedade de substâncias pró-inflamatórias é criada pela atividade da enzima ciclooxigenase da família do ômega 6 (ácido linolêico é a primeira fonte, também incluindo o ácido araquidônico). Leucotrienos anti-inflamatórios, são produzidos pela lipooxigenase através da metabolização dos ácidos graxos da família do Ômega 3 (ácido linolênico). As formas predominantes de Ômega 3 incluem, além do ácido gama e alfa limolênico de EPA ( ácido eicosapentanóico) e DHA (ácido docosaexanóico). Para que o efeito anti-inflamatório seja observado, é necessário incorporar mais Ômega 3 dentro da membrana celular. A forma pela qual os ácidos graxos esenciais (AGE) causam estas mudanças na produção das citoquinas, (fator alfa de necrose tumoral) IL1, etc) ainda não está totalmente esclarecida, mas existem fortes evidências de que estas mudanças ocorram.
A maioria dos trabalhos preliminares sobre os benefícios da suplementação com ácidos graxos essenciais (AGE), foram concentrados na manipulação de problemas dermatológicos. Vários trabalhos recentes, têm enfocado a utilização dos AGE na cardiologia, doenças renais, doenças osteoarticulares e oncologia. Estas áreas abrem novas indicações na suplementação dos animais de estimação com os ácidos graxos essências (AGE).

Dermatologia – Uma rápida revisão

Ácidos graxos poliinsaturados podem auxiliar em uma grande variedade de processos dermatológicos inflamatórios e pruriginosos. A monoterapia, utilizando somente este tipo de produto, geralmente não é suficiente, embora a combinação com outros produtos (anti-histaminicos, corticoesteroides, etc) possa ser muito benéfica. Isto é extremamente valioso quando se consegue uma diminuição significativa na utilização de corticosteróides. Este fato tem sido demonstrado em inúmeros estudos disponíveis na literatura.

Cardiologia

Existem várias indicações para a utilização dos ácidos graxos essenciais (AGE) na cardiologia. É sabido que dietas ricas em ácidos graxos essenciais (AGE), diminuem a atividade plaquetária em humanos. Este efeito pode ser de grande benefício em felinos com risco de trombose. Foi recentemente descoberta uma importante indicação da suplementação com Ômega 3 em cães com doença cardíaca. A caquexia é o maior problema em cães com insuficiência cardíaca congestiva e está provavelmente relacionada ao excesso na produção de citoquinas. Diminuições significativas na produção das citoquinas e no estado de caquexia, foram verificadas com a suplementação com altas doses de ácidos graxos essenciais (AGE). Este é um fato importante na terapia auxiliar de cães com a insuficiência cardíaca congestiva, onde a caquexia é um dos fatores que influência a percepção do proprietário sobre a qualidade de vida de seu animal de estimação. Qualquer medida que possa ser tomada para melhorar a qualidade de vida dos pacientes, irá aumentar a expectativa de vida do animal de estimação.
Um aumento dos níveis de Ômega 3 em humanos tem sido associado  a um efeito antiarrítmico. Estudos experimentais em animais com arritmias induzidas, demonstraram um efeito benéfico quando da suplementação com Ômega 3. Os benefícios desta terapia em animais ainda necessita de estudos mais aprofundados. Alguns benefícios em humanos, estão associados aos efeitos sobre plaquetas em associação com quadros de arteriosclerose e infarto do miocárdio, fatores estes que não aplicam integralmente aos animais de estimação.

Oncologia

A Caquexia é observada em muitos casos de câncer. Provavelmente, ela também está associada aos elevados níveis de citoquinas produzidos nestes quadros. Os benefícios associados da suplementação de Ômega 3 foram observados em humanos com câncer associado a caquexia, e também com modelos animais utilizados em estudos do câncer. Existem também algumas informações interessantes relacionadas à suplementação com os fatores Ômega 3, favorecendo a diminuição de metástases durante a quimioterapia. Em medicina veterinária, recentes pesquisas têm demonstrado um aumento da sobrevivência de cães com linfomas, quando alimentados com dietas ricas em Ômega 3 e arginina. Existem vários trabalhos que demonstram que os danos causados pela radioterapia no focinho e nariz, podem ser significativamente reduzidos com a suplementação de Ômega 3 e arginina.

Urologia

Até o momento, existe uma controvérsia considerável em relação a utilização de Ômega 3 e Ômega 6 nas doenças renais. Estudos realizados, demonstraram a preservação da função renal em cães com insuficiência renal experimentalmente induzida, alimentos com doses elevadas de Ômega 3, quando comparadas a dietas elevadas em Ômega 6 ou com dietas ricas em gorduras saturadas. A utilização de suplementos contendo Ômega 3, pode diminuir a hiperlipidemia que é uma conseqüência comum da insuficiência renal. É sabido que as mudanças no perfil lipídico, são um dos fatores que levam a progressão da doença renal.
A importância da suplementação de Ômega 3 na insuficiência renal aguda é intrigante. A insuficiência renal aguda induzida por isquemia foi melhorada com a suplementação de óleo de peixe, efeito este que não foi observado nos quadros onde a gentamicina induziu a insuficiência renal. O problema é que a suplementação com Ômega 3 deve ser iniciada antes da indução da insuficiência renal, sendo esta uma situação que não ocorre na prática. Talvez, o ideal seria suplementar com Ômega 3, todos os pacientes com tendência a desenvolver doenças renais.
A suplementação com ácidos graxos essenciais (AGE) diminui a taxa de perda de função renal nos casos de nefropatia associada a IgA em humanos. Estudos  experimentais demonstraram um benefício da suplementação com Ômega 3 na doença glomerular. Esta é uma área que deve ser investigada em maior profundidade. Um efeito antiplaquetário foi documentado em cães com suplementação com Ômega 3. É geralmente aceito que as plaquetas também estão envolvidas no desenvolvimento da doença glomerular.

Gastroenterologia

A utilização de suplementos contendo ácidos graxos essenciais (AGE) e a manipulação nutricional das proporções de Ômega 6 e Ômega 3, foi investigada de maneira superficial em animais de companhia. Os benefícios encontrados nos casos de doença inflamatória intestinal crônica, não foram uma surpresa. A suplementação com Ômega 3 foi demonstrada como de grande auxílio no controle da doença de Crohn em Humanos e também pode auxiliar no controle da colite ulcerativa.

Ortopedia

A suplementação com ácidos graxos essenciais (AGE) foi sugerida como sendo grande benefício como coadjuvante no tratamento da osteoartrite em um estudo recentemente realizado. Aproximadamente 50% dos cães tiveram uma boa a excelente resposta quando suplementados com altas doses de ácidos graxos essenciais (AGE). Como este estudo não foi duplo cego com placebo, outros estudos controlados necessitam ser realizados para demonstrar a real influência dos ácidos graxos essenciais (AGE) nas patologias osteoarticulares.

Conclusões

A utilização dos ácidos graxos poliinsaturados aparenta ser de grande benefício em inúmeras patologias. Existe muito ainda a ser feito para esclarecer os mecanismos de ação destes suplementos. Muitos trabalhos já publicados são difíceis de interpretar, devido aos modelos experimentais utilizados. Na cardiologia e na terapia do câncer, os benefícios já estão muito claros. Nas outras áreas clínicas, os estudos ainda necessitam ser mais apronfudados.

 

 
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